ao primeiro dia, cosie cherie

Coimbra, 4 Abril 2011 Por Tomás Moura

“Ela chama-se Tânia (portuguesa) e ele Job (holandês). As vozes, a guitarra, o piano e o banjo trazem-nos melodias folk com sonoridades country. A voz feminina é doce e bela. Os cruzamentos das duas vozes encantam. O suporte musical é simples, mas junta as características necessárias para fazer grandes canções!”

Era assim apresentada em papéis por cima das mesas a primeira actuação do Festival Santos da Casa 2011, na Sala Arte à Parte, na passada sexta-feira, 1: os Cosie Cherie. O ano de comemoração do 25º aniversário da Rádio Universidade de Coimbra conta com a 13ª edição do festival com o mesmo nome do programa de Fausto da Silva e Nuno Ávila.

Apesar de algum atraso, ao soarem as primeiras notas percebemos que não se trata duma mera actuação, antes um convite a viajar, a revisitar o passado. A simplicidade musical e o contentamento dos artistas fizeram crescer na sala um ambiente de leveza e de paz de espírito. E a voz de Tânia, envolvente e hipnotizadora, tratou do resto: o transporte para o passado. Foi precisamente isto que se sentiu. Como se, de repente, estivéssemos a crescer em nós, a recordar momentos e a projectar pensamentos numa mistura agridoce de melancolia e bem-estar.

No estado de ausência em que estávamos, “Morning Light” veio fazer sorrir, como se dissesse que tudo aquilo que recordávamos tinha acontecido por algum motivo e que, decerto, tinha valido a pena. Já mais conscientes da hipnose, em “Underground” e “Bluesky”, o espectáculo evoluiu para outro nível quando os dois artistas entrecruzaram vozes e o público esboçou um sorriso, como quem ouve as mais ternas palavras.

Vivia-se um momento familiar. Para isto contribuiu a felicidade enternecedora da banda, as paragens de Job a meio da música porque não estava a correr como queria – roubando ao público sorrisos de compreensão – e, claro, o momento em que se acompanhou a música com palmas. Este foi, certamente, o momento mais mágico.

Quando anunciaram o fim, ninguém se resignou e cantaram-se hinos de repetição. Os artistas facilmente acederam, presenteando-nos com uma viagem de regresso ao presente. No fim… No fim ficou uma sensação de quem foi descoberto sem o querer. No fim fomos mais nós, porque fomos “ensinados” a sorrir do passado.”

in Via Latina