cosie cherie – book of music

13 de Agosto, por João Lisboa

Cosie Cherie – Book Of Music

O planeta não se deslocará do seu eixo e, tanto quanto é possível profetizar, nenhuma revolução ocorrerá por virtude do surgimento no cenário (mais ou menos pop, mais ou menos indie) luso-holandês de um duo pouco felizmente intitulado Cosie Cherie. Aliás, Tânia e Job, gente de hábitos simples e mais dados às amenidades estivais que a música acústica que praticam reflecte. Mas, neste primeiro álbum (que sucede a um primeiro EP, Making Magic Floating Boats, aqui integralmente incluído), caso não estejamos demasiado virados para a descoberta, a todo o preço, de improváveis sublevações estéticas, não será impossível depararmos com instantes de um “songwriting” discretamente caloroso, tão ingénuo quanto genuinamente convicto da sua pertinência, coisa de tipos que preferem viver junto à praia e vêem com muito bons olhos não apagar da gravação o miado de um gato que, inadvertidamente, se intrometeu no processo.

Escutado em dia-não, poderia, facilmente, dizer-se que “Book Of Music” é água-de-rosas sonora, “wallpaper music” para refúgio rústico de hippies urbanos contrariados, uma tépida colecção de melodias preguiçosas e textos naïfs e de inglês duvidoso (“I’ve been thinking about a reason why we are here, people of tomorrow enjoy the sun shining in”), em relação à qual não seria reprovável não prestar enorme atenção. E não se mentiria. Sob a temperatura e pressão adequadas, porém, as moléculas de Joni Mitchell, Neil Young, (sejamos generosos) Leonard Cohen ou até, em determinados ângulos, Gainsbourg/Birkin, em solução infinitesimal, que se consegue identificar poderão ser suficientes para adiar o julgamento definitivo para uma outra oportunidade e, agora que o Verão parece, enfim, começar, encararmos Book Of Music como bebida fresca e bem vinda.

in Expresso