em destaque: cosie cherie apresentam ‘making magic floating boats’

18 Novembro 2010

“Os Cosie Cherie apresentam Making Magic Floating Boats, o seu EP de estreia, já amanhã, no Espaço SOU, em Lisboa. E porque é difícil ser-se popular antes da estreia, sobretudo quando se é discreto e simples como este duo luso-holandês, falámos com eles em antecipação do concerto para desvendar as suas histórias.

Esta é uma antevisão privilegiada. O EP está disponível há uns dias online para download gratuito e, por isso, a primeira coisa a fazer em jeito de preparação para o concerto é ouvi-lo. Querem os Cosie Cherie que as pessoas experimentem a sua música “de uma maneira livre até decidirem se gostam ou não”.

A nossa sugestão é que ponham já o single, Travelling, a tocar aqui, pois não há banda sonora melhor para entrar na história dos Cosie Cherie. É que o mundo não pára quieto: a terra gira em torno do sol e de si própria, procurando equilíbrio nas regras da gravidade, os animais migram para encontrar equilíbrio na relação com o seu habitat, e as pessoas, claro está, viajam por inúmeras razões, mas eu diria que na maioria das vezes, o fazem procurando equilibrar-se também, no confronto com novas experiências e novos lugares, quer o façam por lazer ou por força das circunstâncias. E foi igualmente graças a esta tendência natural da Terra e dos seus habitantes para viajar que a portuguesa Tânia Carvalho e holandês Job Leijh se conheceram na praia. Depois, a provar a tese de que as viagens se fazem a caminho do equilíbrio, está a sua união nos Cosie Cherie.

Ele toca guitarra. Ela canta. E desde 2006 que afinam as suas qualidades para encontrar sintonia. O EP só não saiu mais cedo “porque precisávamos de mais experiência e usámos estes cerca de 4 anos para explorar as nossas capacidades e para criar e descobrir e criar mais ” – explicam. O resultado é o que esperamos que já estejam a ouvir por esta altura, depois de feito o download.

Making Magic Floating Boats foi gravado em casa, num processo constante de aprendizagem, já que nenhum dos dois “tinha muitos conhecimentos técnicos, por isso a gravação do EP foi toda feita com muita imaginação e criatividade.” Leiam imaginação e criatividade com um sorriso na cara, por favor, porque dá para imaginar a aventura em que se meteram quando tentaram comprar material e aprender a trabalhar com ele – ainda hoje se riem a lembrar o dia em que tentaram devolver um microfone que afinal estava em perfeitas condições. Mas nada se faz sem “altos e baixos, com os seus ritmos variados e as suas ‘milhentas’ cores”. Isto é Tânia a descrever o mar, mas encaixou bem aqui, pois afinal esta é uma paisagem que, em inúmeros sentidos, parece contribuir para descrever o EP, cuja masterização acabou por ficar a cargo de Neil Leyton.

E depois desta descrição, torna-se ainda mais claro porque é que o EP pode ser o guia ideal para o concerto. Nele ficou impresso o registo folk acústico minimalista, sincero, calmo,  e quase casual que as suas actuações transmitem ao vivo, como já tivemos oportunidade de testemunhar. Só se percebe que Tânia e Job não estão a tocar num serão para os amigos porque se sente ainda algum nervosismo, próprio de quem é humano. Mas, porque a ocasião é especial, o concerto também reserva algumas surpresas: “temos estado a ensaiar alguns temas com o piano, queremos aproveitar o dia 19 para nos estrearmos com ele e estamos curiosos para ver as reacções. Para além disso, vamos tocar cerca de 10 temas e teremos uma pequena surpresa durante a nossa actuação”.

Sendo assim, o que é que irão eles apresentar mais além das cinco faixas do EP? A resposta, encontrámo-la, ou pelo menos algumas pistas, quando tentámos saber mais sobre os planos que a dupla tem para o futuro: “temos alguns temas que não foram inseridos no Making Magic Floating Boats, por isso talvez façamos um álbum longo como próximo trabalho. Enquanto os novos temas forem trabalhados queremos continuar a tocar ao vivo e esperamos poder ir introduzindo outros instrumentos como os que utilizámos nas gravações do EP”.

E já que falamos em tocar ao vivo, o projecto tem os pés assentes em Portugal, mas a dupla não exclui a hipótese de levá-lo fora de portas. O problema é que Portugal lhes parece “ainda um mundo e é nesse mundo que estamos concentrados neste momento”, preferindo dar um passo de cada vez, deixando o rumo fluir, sem questionar muito as coisas. Afinal, como confessam, “Making Magic Floating Boats é para nós estar feliz e maravilhado com o mundo sem perguntar porquê.”.

Depois do concerto no Espaço SOU, os Cosie Cherie tocam ainda na Fábrica de Braço de Prata, também em Lisboa, no dia 2 de Dezembro. A apresentação do EP começa às 22h e a entrada é livre. E para que não se percam, há mais pormenores sobre a localização do Espaço SOU aqui.”